Mineiro de Teófilo Otoni, Leo Santana se torna o mais famoso escultor de personalidades do país

O artista no ateliê de BH: “Não sou milionário, mas tenho uma vida boa graças à minha arte” As mãos desse mineiro moldaram um dos monumentos mais conhecidos do Rio de Janeiro: a estátua de Carlos Drummond de Andrade, no calçadão da Praia de Copacabana. Com 57 anos e disposição de menino, Leo Santana, que inaugurou sua obra mais recente – uma homenagem aos doadores de órgãos do estado, na Assembleia Legislativa – em Beagá na última segunda (30), é hoje o escultor de figuras públicas mais conhecido do país. Atualmente, ele vive em um belo casarão histórico em Olinda (PE) porque diz ter se apaixonado pelo mar. Mas foi em meio às montanhas daqui que o artista lapidou o próprio sucesso. Nascido em Teófilo Otoni, ele veio para a capital com a família, ainda adolescente. Graduou-se em publicidade na Fafi (atual UniBH) e em desenho industrial na Fuma (atual Escola de Design da Uemg). Nos anos 80 atuou como designer gráfico e foi responsável por seis anos pelos cartazes de divulgação da fachada do Palácio das Artes. Mas a vontade de esculpir o fez comprar uma machadinha em vez de um computador mais moderno.

Leo passou então a fazer bancos, bases para mesas e peças utilitárias para decoradores e arquitetos. Ainda não era o suficiente. Ele queria “viver da própria arte” e resolveu se dedicar a obras autorais. Em 1987, mudou-se para o distrito de Macacos, em Nova Lima, onde morou por vinte anos em uma charmosa casa­-ateliê com o companheiro, o também artista Ivã Volpi. Durante alguns anos, produziu esculturas de argila, resina e pedra-sabão, até encontrar o material que o consagraria, o bronze. Em 2001, uma amiga que estava envolvida com as comemorações do centenário de Carlos Drummond de Andrade o apresentou ao neto do poeta, Pedro. Estudando uma fo­­tobiografia do escritor, Leo Santana achou uma imagem em que Drummond aparecia sentado em um banco na orla de Copacabana. Na escultura, ele deslocou o itabirano para o lado esquerdo, a fim de dar lugar aos visitantes. “Eu gosto de tirar as figuras importantes do alto do pedestal e trazê-las para perto das pessoas”, diz. A obra é hoje o segundo ponto turístico mais visitado do Rio, perdendo apenas para o Cristo Redentor.

O poeta foi uma espécie de amuleto para a carreira de Leo. Enquanto preparava sua estátua mais célebre, o artista fez um planejamento de divulgação, com o objetivo de alavancar a carreira. Nem precisou. Ainda estava na capital carioca para a inauguração de seu Drummond quando recebeu o telefonema de Fernando Pimentel, então prefeito de Beagá, que também queria uma homenagem ao poeta. Logo depois vieram os monumentos de Roberto Drummond e Henriqueta Lisboa, ambos na Praça da Savassi; Ary Barroso, no Rio; os “quatro cavaleiros do Apocalipse” (Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pelegrino), na Praça da Liberdade; e uma série de encomendas para Brasília e o Nordeste. Leo Santana jura que não está rico, mas admite ter uma certa tranquilidade graças à escultura. Mostrando as palmas das mãos, ele diz, orgulhoso: “Minha vida toda saiu daqui, ó”.

O criador e suas criaturas

Os dois monumentos mais admirados de Leo Santana são o quarteto de escritores mineiros (Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pelegrino), instalado na Praça da Liberdade, e a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, no calçadão da Praia de Copacabana. Foi o escritor itabirano quem deu ao escultor a projeção nacional que lhe garantiu uma onda de encomendas de estátuas de personalidades em vários estados do país.

Fonte e foto: BH Veja

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